segunda-feira, 16 de março de 2009

Devaneio

Ontem fui à ELT para participar da reunião com a comissão de Aprendizes e Mestres sobre a reprogramação do Semanão. Foi uma conversa produtiva e cheia de saudáveis pontos de vista divergentes. Falamos sobre os caminhos do nosso espaço Assembléia, ou Bléia (como sugeriu a Georgette). É uma construção delicada, essa a que nos propusemos. Fácil seria ficar quieto e deixar as coisas acontecerem por inércia. Mas a liberdade dá trabalho, e algumas questões importantes, como a autonomia dos coletivos dentro do coletivo maior, serão discutidas na quarta. Depois fui assistir ao corrido do Nekrópolis. Ao fim, impactado pela radicalidade do que me foi apresentado, saí disposto a olhar o céu em busca de algum norte. O trabalho me levou a pensar sobre minha participação silenciosa nesse holocausto social que vivemos e outras coisas mais ainda não elaboradas. Eita semana intensa!!! Licitação, Assembléia, Nekrópolis.... definitivamente a ELT não é um espaço para visões conformistas. Não há como ficar imune a esse lugar.

Por: Edgar Castro

Nekropolis

Quando a arte chega ao seu sumo (ou quando vai em direção a ele) ela afeta as pessoas. Tocando as pessoas é impossível não mexer com o cotidiano, com a vida, com a cidade, logo com a política.Um dos exemplos disso é, sem dúvida, Nekrópolis, a nova peça da Escola Livre de Teatro (ELT).Incrível é ver pulsar tanta criatividade num só trabalho. Inúmeras novas linguagens teatrais, musicais, poéticas dividindo o palco, muito bem exploradas. Tantas sacadas, que martelam e culminam no que o país precisa: discussão, cultura. Cutuca a ferida que estanca como gangrena. Nos faz lembrar quem somos: humanos

Por: Lucas Botelho

terça-feira, 10 de março de 2009


Estreou o espetáculo de formatura da Formação 10 da ELT! Venham! Se aprocheguem! E não se esqueçam de comentar aqui o que viram!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

À ELT, minha homenagem

A Escola Livre de Teatro é a prova viva e pulsante de que existe uma saída para o Ser Humano; sim, nós podemos nos suportar, nos ouvir, nos amar e até podemos produzir arte. Tudo ao mesmo tempo. Sem dinheiro. Com pombos e goteiras. Ratos e moscas varejeiras vigiando nossos passos. Sim. Mesmo assim. É possível. Na periferia de Santo André existe um lugar em que as pessoas aprendem a ser Ser Humano. E é isso que interessa. E o melhor: não paga nada. Aceita-se: ricos, pobres, analfabetos, acadêmicos, cegos, surdos, gringos, atores, não-atores, enfim, aceita-se gente. O que importa é a disposição e disponibilidade para a entrega absoluta. Da mente, do corpo, das noites, do transportar-se até lá diariamente. Do afinco. Do amor a isso tudo que é possível de criar, recriar, do amor à vida, do amor à arte, do querer descobrir-se mais e mais a fundo. Da pesquisa. Eu amo tanto isso tudo que já começo a chorar quando lembro que me resta tão pouco tempo lá dentro. Mas que foi eterno. Pra mim será eterno até o fim da minha vida.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"Todo homem terá talvez sentido essa espécie de pesar, se não terror, ao ver como o mundo e sua história se mostram enredados num inelutável movimento que se amplia sempre mais e que parece modificar, para fins cada vez mais grosseiros, apenas suas manifestações visíveis. Esse mundo visível é o que é, e nossa ação sobre ele não poderá nunca transformá-lo em outro. Sonhamos então. nostálgicos, com um universo em que o homem, em vez de agir com tanta fúria sobre a aparência visível, se dedicasse a desfazer-se dessa aparência, não somente recusando qualquer ação sobre ela, mas desudando-se o bastante para descobrir esse lugar secreto, dentro de nós mesmos, a partir do qual seria possível uma aventura humana de todo diferente.Mais precisamente moral, sem dúvida. Mas, afinal, é talvez a essa condição inumana, a esse agenciamento inelutável, que devemos a nostalgia de uma civilização que procuraria se aventurar fora do que é mensurável."

Jean Genet (O Ateliê de Giacometti)


sábado, 18 de outubro de 2008

Nave Mãe


Deixar registrado o quão interessante foi a assembléia de sexta-feira conduzida por nós da Formação X. A dica da roda dada por Ana Sharp foi fundamental. Mais íntimos. Mais próximos. Mais participativos. Mais tomando nas próprias mãos as questões relativas à nossa Nave Mãe ELT. Interessante ver ecoar uma discussão que para nós tem sido muito nova e muito rica: a formação de público. Ultrapassar todas as barreiras impostas à alunos de uma escola tradicional. Ir além do aprendizado do ofício do ator, ir além, levar para os outros isso que nos foi dado de maneira tão linda. Espalhar essa nossa formação de ator, de ser humano, semeá-la por onde ainda não há pólem suficiente, formar público. Mostrar, gritar aos quatro cantos o quanto pode ser maravilhoso e transformador o contato com a arte.
Deixar registrado o quanto sou grata e apaixonada por essa Nave Mãe, ilha de Sta. Terezinha, lugar de gente que acredita muito.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A coisa-método

Por onde se começa a levantar um espetáculo?
Improvisos?
Texto?
Encenação?
Interpretação?

Pelo ator ou pelo espaço?
Pelo corpo ou pela voz?

Pelo texto decorado? Por uma idéia vaga? Uma vontade de experimentar alguma possibilidade?

Pela música?
Pelas coreografias?
Através de imagens no papel?

Durante todos esses meses essas questões têm vindo forte pra mim. Estamos tateando. Testamos todos esses meios já. Às vezes nos aprofundamos mais ou menos em algum, nos esquecemos de outros. Dá ansiedade. Dá um pouco de medo de não saber se o caminho que temos escolhido é de fato o melhor para realizar este texto específico.

Então, cada texto pede um método? Ou cada grupo pede um método? Ou não há método algum? Ou se descobre o tal do método durante a caminhada? Errando, acertando, perdendo tempo, avançando, recuando. Para nós tem sido assim. Diante de um texto tão fragmentado, lacunar, sem unidade de tempo, ação, espaço, tão não-Aristotélico, diante de Roberto Alvim, os nossos métodos parecem estar sendo criados dia-a-dia, cena a cena. Não existiu um pré-método. Não existiu um "vamos por aqui que aqui é garantido". Nada é garantido diante deste texto.

Às vezes me aflige não fazermos um trabalho mais forte com a PALAVRA. Às vezes minha intuição me diz que a palavra é o que há de mais seguro neste texto. É onde deveríamos nos apoiar. Às vezes acho que tendo isso, todo o resto viria depois, os atores estariam lá, firmes nas palavras belas de Alvim. Nas palavras duras de Alvim. Nas palavras que atravessam o espectador. Este seria o MEU método, talvez. Mas não estamos aqui seguindo o método de ninguém, e sim o que o próprio grupo vai gerando, descobrindo, se defrontando, nas dificuldades, nos atalhos, nos sensos comuns, mas caminhando. Todo os dias.